18 de abr. de 2010

Lima Trindade

O ficcionista e editor da revista verbo21 (www.verbo21.com.br) estará na FestiPoa, dividindo mesa com Luis Paulo Faccioli e Luis Dill, no dia 21, às 18h, na livraria Letras & Cia, em que será debatido o conto brasileiro contemporâneo. Lima publicou Supermercado da Solidão (novela-pop-rock, Brasília, LGE, 2005), Todo Sol mais o Espírito Santo (contos, São Paulo, Ateliê Editorial, 2005) e Corações Blues e Serpentinas (contos, São Paulo, Arte Paubrasil, 2007).

Aqui no site Germina você pode ler um conto dele.
No Cronópios há uma entrevista com o autor.
E também na TV Assembleia, de Salvador.
A seguir uma entrevista inédita do Lima aqui para o blog.



Você escreve/publica essencialmente contos, seus dois mais recentes livros (Todo o sol mais o Espírito Santo, ed. Ateliê, e Corações, blues e serpentinas), trabalham algumas peculiaridades do universo urbano, no qual gravitam personagens que vivem nesse espaço geográfico e temporal bem contemporâneo, sobretudo experienciando marcantes relações amorosas, suas dores, alegrias e aflições. Como você vê seus livros (esses que mencionei) no contexto da literatura brasileira contemporânea?

Complicado (risos). Qual literatura brasileira contemporânea? Tem muito escritor hoje seguindo a onda realista, linguagem jornalística e preocupados em desenvolver temas com alcance social, denunciar hiperviolências e outros baratos... Todo respeito, mas não é a minha. Meus livros seguem várias direções e são experiências de linguagem que tentam dar conta desse mistério ainda insolúvel que é a existência. Pode ser que role uma cena violenta. Ou não. Não sigo regras. Tampouco modas. O que tento é ser sincero comigo mesmo, escrevendo contos ou livros que eu gostaria de ler se não tivessem o meu nome na capa. Nesse percurso a gente acaba encontrando outros autores que percebem o mundo de maneira parecida, que apresentam mais dúvidas do que respostas. Aí, a gente caminha junto.


Você também é um tanto ativista na cena literária e artística de Salvador, edita uma revista na web, a verbo21 (www.verbo21.com.br), enfim trabalha não só para a difusão de seu trabalho literário, mas se preocupa com a difusão de trabahos de artistas que estão dizendo algo interessante sobre o mundo e a vida de hoje. Fala um pouco sobre essa sua postura e atitude.

É algo natural. Todo escritor é antes de tudo um leitor. Não importa se ao ler o outro lemos a nós mesmos. O fato é que o ato da leitura, o contato com outras formas de produção, transforma e amadure o artista. A revista já rola há mais de dez anos. O bacana desse tipo de trabalho está justamente na possibilidade de conhecer as pessoas, descobrir distintas maneiras de ver o mundo. Não consigo imaginar um artista, seja ele qual for, que se feche para as possibilidades de diálogo e aprendizado. Digo isso, em qualquer campo. Amo cinema, teatro, artes plásticas, dança e todo tipo de invenção que leve o indivíduo a mergulhar dentro de si... Quero dizer, escritor não precisa apenas ficar enfurnado em livro, não é? A Arte transcende o meio para expressar espantos. Quando eu e os meninos do Corte começamos a ler textos no meio das músicas da Pastel de Miolos, banda de punk rock de Salvador, teve muita gente que torceu o nariz. Queriam-nos domesticados, com flauta e harpa ao fundo, risos... Não que isso não possa ser legal, mas por que não variar? Por que não sair da mesmice?


Que você acha da produção literária que tem chegado a você em virtude de seu trabalho de editor da verbo21?

A de ficção? Um total balaio de gatos. Há de tudo. Recebíamos muito material inédito de escritores renomados e anônimos. Publicamos inéditos de Wally Salomão, Glauco Mattoso e mais um montão de gente interessante. No entanto, as coisas vêm mudando. Com a exigência de total ineditismo para inscrição em determinados concursos literários, muitos reservam o melhor de seus trabalhos para uma futura publicação em livro. Então, o perfil dos colaboradores mudou bastante. A grande maioria é de iniciantes e escritores que não conseguem espaço na grande mídia e enxergam na net um espaço de maior liberdade. Em termos de qualidade literária, questão sempre subjetiva, posso afirmar que muita coisa boa surge e nos surpreende positivamente. São essas as que publicamos.

Na internet, há mais informações sobre o autor
http://www.youtube.com/watch?v=H5vNAjVD9-4&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=akjvTtfo6Wo
http://www.youtube.com/watch?v=wbyRbqOzmZw&feature=related

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