11 de mai de 2013

Cristovão Tezza brilha na abertura da 6ª FestiPoa Literária


Assista ao vídeo produzido pelo Coletivo Catarse na noite de ontem 

A sala Luís Cosme (CCMQ) estava lotada e já havia gente em pé quando Luiz Ruffato apareceu para dar as boas-vindas ao público da 6ªFestiPoa Literária. Não demorou muito para que as boas-vindas tomassem forma de bênção e fossem distribuído adesivos e santinhos,  já que agora Ruffato Ruffato está se dedicando à propagação da sua “Igreja do Livro Transformador”.

Escritor com mais de um dezena de títulos lançados, Ruffato criou sua “Igreja” como ação de estímulo à leitura, brincando com a ideia do poder transformador de um bom livro. Longe de luxuosos templos, a Igreja de Ruffato ganha as ruas e a internet, onde  agrupa e compartilha depoimentos de leitores que tiverem suas vidas modificadas pela leitura.

Homenageado

Luiz Ruffato, na sequencia,  convidou o anfitrão da 6ªFestiPoa Literári, o escritor Altair Martins, para também conversar com o grande homenageado da Festa: Cristovão Tezza, autor de O filho eterno. O bate-papo acabou virando uma profunda e reveladora entrevista com o prosista. O tom divertido e auto-irônico do escritor arrancou muitos risos da plateia, mas Tezza também tratou com profundidade assuntos relativos à literatura e contou sua trajetória como escritor.  

- Fui muito marcado pela literatura racionalista e iluminista de autores como Monteiro Lobato e Julio Verne na minha infância, além de Conan Doyle – Tezza apontou a respeito de livros que o transformaram.

Foto: Ana Mendes (divulgação)

Transformações pessoas e construção do escritor

A adolescência, então, teria sido uma fase de ruptura com as leituras racionalistas. Os anos 1960, com a contracultura em ebulição, vieram com propostas de modos alternativos de viver e se comportar. Drogas, liberdade sexual  e a busca por uma vida mais autêntica povoavam o imaginário do escritor e seus amigos na adolescência. Foi nesse momento que seu interesse pelas artes e literatura cresceu.

- A minha geração pode ter vários defeitos, mas não era cínica: nós realmente acreditávamos que podíamos mudar o mundo com a ates – afirmou o escritor. 

Apesar de ainda adolescente ter abandonar a capital do Paraná para viver próximo ao um grupo de teatro em Antonina e lá ter escrito três livros, Cristovão Tezza afirma que tornou realmente um escritor ao desconstruir seus mitos e idealizações do passado.

- Tínhamos essa visão do escritor como algo idealizado, de um texto quase sagrado, que não podia ser mexido. Era um traço messiânico da arte daqueles tempos. Hoje, não me incomodo muito com a ideia do texto passar por um editor e outros leitores – revelou ele.

Literatura Brasileira no exterior

- Com exceção de alguns pontos bastante restritos, não existe literatura brasileira no exterior – Tezza foi categório. – Não conseguimos ser traduzidos para o inglês, o que talvez multiplicasse o interesse em outros países.

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