25 de abr de 2010

Sobre a coletânea "O melhor da festa"


Quero deixar aqui registrado meu prazer ao ler de cabo a rabo o volume O Melhor da Festa. O livro traz textos de 36 autores que participaram da Festipoa Literária - festa literária de Porto Alegre. Acaba sendo um belo guia da literatura gaúcha contemporânea, pois traz uma amostragem significativa, sem preconceitos. A edição é bem acabada, com ilustrações de Guilherme Moojen, que dão leveza ao volume.

Confesso que eu andava bem cética em relação à qualidade quase inafiançável da "Literatura Gaúcha", aquela com L e G maiúsculos, como a gente aprendeu na escola. Cresci ouvindo que nosso estado é uma mina de excelentes escritores, com todos os etecéteras, véus e brilhos. Ouvi certos ecos disso durante minhas estadinhas em Sampa ou nas andanças em eventos como a FLIP.

Juro que não acreditava mais. Talvez andasse desencantada devido à brutalidade do cotidiano (vida de artista, meus caros). Talvez faltasse mesmo uma amostragem em conjunto, colorida, viva, suscinta, gostosa de ler.

Esse livro proporcionou a oportunidade de saborear os textos dos colegas, e é muito bom admirar, aprender, se surpreender. É possível mapear, no volume, as tendências, observar as diferenças, repetições, gostar de umas, julgar irritantes outras, enfim, o livro é uma antena.

Tem gente muito boa, nomes desconhecidos, escritores experientes, outros jovens, tem poemas, textos críticos, contos, provocações, enfim. Para mim foi uma boa pedida. Ao invés de ir até alguma festa, com esse frio, fiquei com a festa em casa, mesmo.

A Festipoa já teve três edições em Porto Alegre. O organizador é o Fernando Ramos, editor do jornal Vaia. Sinceramente, não sei como ele consegue produzir tudo e ainda lançar um livro como esse. É interessante que o volume tenha surgido assim, de um evento, pois este é delimitadinho por início, meio e fim no espaço e no tempo - e o livro acabou transcendendo até mesmo o objetivo de fazer o evento perdurar.

Ainda que não houvesse a Festipoa (tomara que ela tenha vida longa, também), o livro ainda funcionaria como certeiro raio X de uma produção literária que acontece, bem ou mal, para além dos eventos. O melhor da festa é ver tanto texto bom no mesmo livro.

TELMA SCHERER

Nenhum comentário:

Postar um comentário