16 de abr de 2012

5 perguntas para Diego Grando

O poeta Diego Grando está para lançar o seu segundo livro, Sétima do Singular (Não Editora), amanhã mesmo, na Casa de Ideias (Shopping Total, Porto Alegre), as 19h30m. Além disso, ele vai estar no próximo sábado (21/04) compondo a mesa Poesia: humor: liberdade: linguagem com Gabriel Pardal - às 17h na Casa de Teatro, com mediação de Dieto Petrarca e posterior repeteco do lançamento. O momento é de movimentação, mas assim mesmo, Diego não pulou fora quando o convidamos para participar do "Cinco perguntas para...". Confira abaixo a conversa:


1. Como foi voltar para Porto Alegre depois dos anos na França? Alguma coisa te surpreendeu?
É uma sensação dividida, de contentamento por voltar pra perto dos amigos, de um profundo vazio por deixar uma cidade fantástica como Paris, no momento em que, eu arriscaria dizer, eu já me sentia em casa. Talvez eu tenha ficado surpreso com o fato de tudo continuar igual, enfim, ingenuidade minha: vivi minha vida toda aqui, e de repente o cara sai por dois anos e se acha no direito de esperar que tudo esteja diferente, irreconhecível. Mas tá tudo ali, desde sempre, no dna, e a gente não deixa de reconhecer as esquinas porque uma construtura transformou uma porção de casas em cubos envidraçados. Uma fotografia na parede, que seja, sempre dói.

2. Estamos longe demais das capitais?
Não sei. Do ponto de vista geográfico, prático, pode ser que sim, é o que dizem. Do ponto de vista da nossa construção identitária, do nosso discurso, sem dúvida, no sentido de não sermos muito bem brasileiros, nem plenamente gaúchos (não, ao menos, campeiros). Adoramos detestar nossas ambiguidades.

3. Você vai participar da mesa “Poesia: humor: liberdade: linguagem”. Vamos adiantar uma pergunta: um velho mestre dizia que não é com a ira, mas com o riso que se mata. Você está interessado em matar alguém ou alguma coisa?
Não acho que eu seja risonho o suficiente para ser considerado um assassino em potencial.

4. O que podemos esperar de “Sétima do Singular”?
Um livro mais maduro, no contexto da minha trajetória, mais seguro quanto às coisas a (não) dizer e ao jeito de dizê-las. Um livro de poemas pensado como livro (para o bem e para o mal), e não como um agrupamento de poemas que acabam por constituir um livro. Também é um livro mais amplo, construído a partir de um jogo de máscaras mais complexo em relação ao que eu havia feito até então.

5. Poesia para quê?
O Drummond tem um verso que eu acho belíssimo, em "A flor e a náusea": "Ração diária de erro, distribuída em casa".

Confira o trabalho de Diego Grando clicando aqui!