20 de abr de 2012

O debate sobre produção literária contemporânea no Brasil



Ontem, no centro de Porto Alegre, em torno de 60 pessoas se reuniram para acompanhar e participar de debate sobre a produção literária brasileira. A mesa aconteceu dentro da programação da 5ª FestiPoa Literária, e levou a platéia e os debatedores a andarem por temas como a consolidação das editoras em grandes curadoras da leitura e os riscos de crítica e academia apostarem no que há novo em literatura.

O escritor e poeta Paulo Scott foi o mediador do debate, provocando e libertando os debatedores a darem o melhor de si para a público. A crítica Beatriz Resende e o editor Ítalo Moriconi trataram dos temas com inteligência e paixão. No fim das contas, ambos pareciam estar em casa: Ítalo revelou que o primeiro autor que lhe conquistou foi Érico Veríssimo, enquanto Beatriz demonstrava muita intimidade com a literatura produzida atualmente no estado – “a verdadeira nova ficção em papel está sendo feita aqui”, disse ela.

Os riscos de apostar no novo


Beatriz Resende explicou que sua coragem em apostar em novos talentos vem da liberdade com que trata a crítica literária, desvencilhada do seu ofício acadêmico. “Sempre estive ligada à teoria na universidade, e não propriamente à literatura, então me sentia mais livre para escrever na imprensa”, explicou ela.

Ítalo Moriconi apontou motivos para as universidades terem dificuldade de apostar no novo: “assumir curadoria é assumir risco, não há como escapar disso, e a academia tem o problema de querer estar segura, dar as mesmas aulas, reproduzir o mesmo conhecimento – não está preparada para enfrentar um movimento cultural”. O editor ainda completou com seu exemplo pessoal: “quando lancei uma antologia de poemas, enfrentei no mercado a fogueira das vaidades, com respeito a poetas que ficaram de fora; já na universidade, o que causou polêmica foi o próprio fato de topar fazer antologia para uma grande editora”.

As grandes editoras como curadoras


“Se você comparar o grau de percepção, parece que há mais gente nas editoras a entender e amar a literatura do que na academia”, Ítalo Moriconi observou e foi apoiado pelos outros integrantes na mesa. Por outro lado, ele não deixa de apontar os riscos que o mercado editorial oferece ao se tornar o grande curador da atualidade: “há um jogo de sempre inventar o novo, não há tempo para releitura, para a decantação crítica, para a reedição. A geração dos 1970 parece ter sido abandonada nesse processo”.

Paulo Scott também chamou a atenção para o fato do mercado editorial e a força do marketing das grandes editoras pautarem os críticos e jornalistas, havendo pouco espaço dentro das redações para o trabalho mais extenuante de buscar fora dos releases o que vale a pena ser lido pelo público.